Publicado por: maldeiaexploratoria | 08/10/2015

O moleque “caipira”

Vivia o moleque numa amarela casa de esquina ou seria verde casa no centro da rua. Foram ambas. Tempos difíceis! Mas o despertar de um menino para o som/letra que identificava como caipira (sertanejo) já chamava atenção. Algo incomum, diferente, gostar tanto assim. Ouvir e repetir, ouvir e repetir… Encantamento auditivo.

Pensava o menino, lá pelas bandas dos sete, que pintava o sete, que música podia não entorpecer e embargar a voz daquele jeito. Num era serzinho triste, mas sentia um aperto de tristeza ao ouvir aquela música. Quase que querendo ser amigo do boiadeiro que perdeu seus parceiros. Assim repetia e repetia a música, se oferecendo todo para ser amigo dos caras e diminuir aquela tristeza. Foi compreensão da saudade e dor por ter perdido os amigos que experenciou naquele instante. Entendeu naquele momento a cumplicidade de amizades verdadeiras. Na realidade, não era de muitas amizades, seu mundo já parecia muito diferente do meio de sua morada.

Certo dia seu pai carrega o moleque pra um hotel. No local estava hospedado aquele músico de “os três boiadeiros”. Faria um show num comício político da cidade. O olhar “molequês” do encontro: o cantor era gigante! Parecia ter uns três metros. O moleque magricelo, pequenino, mal dialogava, ninguém o entendia mesmo! Pra quê falar (dislexia)!

Passado certo tempo o cantor retornou para uma apresentação numa cidade vizinha. Lá vai o moleque infernizar o pai para levá-lo ao show. Em meio à chuva torrencial, um ônibus lotado, mas lá foram. “Quero chamar a atenção de todos vocês para essa música, pois a dedico ao meu mais novo fã que tive a oportunidade de conhecê-lo meses atrás”. Ele lembrava do moleque!!! No meio de todo aquele público visualizou o serzinho com seu pai na plateia. Tudo bem, va lá, não devia ter tantos serzinhos assim. Mas lembrar da música e associar foi demais… Ali o moleque virou brilho, estrela, voou longe naquele instante e fez-se presente na amizade e cumplicidade sincera que os amigos devem viver e compartilhar.
Esse moleque tão presente em meu ser. Ah o músico: Sérgio Reis.

A composição foi de Anacleto Rosas Júnior, interpretada por Palmeira e Luizinho (1951) como um valseado, mas fazendo “sucesso” quando transformada em canção-rancheira e  gravada por Pedro Bento e Zé da Estrada e, posteriormente, por Sérgio Reis.

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