Publicado por: maldeiaexploratoria | 10/10/2014

Pitacos nas eleições de 2014

fractais-psicodelicoNão, nada tem de análise profunda ou de um cientista político talhado nas análises de política eleitoral. É apenas um pitaco, que aliás procura compreender os caminhos possíveis da eleição atual. Ninguém é isento de posição ideológica partidária, claro! Aqui tento perfilar argumentos que desloquem minha militância, tentando – sem perder minha característica pessoal de construção mais enviesada para um olhar do mundo de modo crítico – compreender um pouco os equívocos dessa trajetória governamental do PT, o projeto político-econômico em jogo e as expectativas futuras. É apenas um rascunho. Uma hipótese. E como toda hipótese merece ser testada e criticada. Muitas coisas faltam nessa análise, lembrem-se é apenas uma reflexão, um ensaio solto, mais livre.

É fato! No plano econômico o País e a proposta do PT pouco avançaram no sentido de apresentarem uma outra possibilidade de desenvolvimento econômico para todos e não somente aos que mais necessitam: os pobres. Se isso pode custar a reeleição da Dilma, por outro, satisfez suas promessas de campanha em 2010, desde Lula, qual seja: a inserção de milhões de pessoas no pacto econômico, ampliando a estratificação social e retirando milhões de pessoas da miséria. O PT cumpriu sua agenda econômica, mas não conseguiu implementar uma política que atingisse a população da faixa de renda entre 3 e 10 salários mínimos, criando nesses 12 anos cimento (que as eleições provarão) favorável ou não à continuidade desse plano.

Ocorre que a conjuntura econômica futura tanto de Dilma como de Aécio (um ou outro vitoriosos) não parece possuir estratégias de criação de outro plano macroeconômico. Aécio, se vitorioso, ou continua a economia implementada por Dilma ou pende para uma política econômica neoliberal.

Se o governo do PT, vitorioso, continuar com essa perspectiva econômica enfrentará crise para daqui um ou dois anos, posto crescimento industrial e empresarial com tendência de ser pequeno e insuficiente para manter os investimentos em política social. É bem sintomáico o ABC (industrial) não ter acompanhado o PT nessas eleições. A resposta parece clara no sentido de que o governo do PT não privilegiou a implementação de políticas econômicas de satisfação dos setores da classe média, que esperava maior ganho real, posto ter sob suas costas maiores responsabilidades tributárias. Vencendo as eleições e mantendo esse quadro econômico atual não teria fôlego para as eleições de 2018. Se o PT, vitorioso neste segundo turno, alterar a perspectiva econômica privilegiando uma política que possa atender os anseios da classe média poderia ter fôlego para as eleições de 2018 sem, contudo, diminuir a política social. Ocorre que para isso será necessário maior crescimento e, nesse contexto internacional, como crescer mais?

Duas estratégias: a) aumento de juros para gerar mais lucros ao setor empresariado e bancário; diminuição ou estagnação do salário; controle dos gastos públicos; crescimento do parque industrial; recessão. Significa uma política neoliberal, de direita liberal-economicista, mais afeita ao PSDB; b) poderia alimentar toda a construção de uma nova elite econômica, e, por meio dela, fortalecer o crescimento, algo mais afeito ao governo Dilma.

A conjuntura eleitoral mostra que a direita comportamental – que no primeiro mandato de Dilma (2010) exigiu a retirada da defesa do aborto e da descriminalização do uso de drogas para convergir – acabou, em 2014, convergindo suas forças políticas com o PSDB. Essa direita convergiu para o candidato que mais ideologicamente lhe inspira satisfação político-programática. Além de acarretar uma política neoliberal com contenção de gastos, recessão e tudo o mais, poderá promover um crescimento da orientação política conservadora, tal qual ocorreu nos EUA com os ultra-conservadores. Mas, a eleição da Câmara Federal aponta um conservadorismo estagnado, enquanto no Senado um progressismo. Desse modo, tanto Dilma como Aécio contarão com uma oposição mais articulada. Não será fácil a aprovação de programas de forte alteração na política como por exemplo, reforma política, tributária, reforma agrária, dos meios de comunicação etc.

Dentre essas opções eleitorais tem aqueles que preferem a expectativa de uma alteração de rumos com Aécio/PSDB que, provavelmente, será nos caminhos de contenção e desenvolvimento do setor econômico, algo que de novo e mudança nada tem, mas continuidade da política de FHC. Outros em razão disso mesmo, por conhecer essa estratégia político-econômica possuem temor à Aécio/PSDB e por essa razão votam em Dilma/PT. Outros ainda acreditam numa guinada mais à esquerda do PT e ao centro, ou seja, retomando à base e militância e se aproximando de setores industriais para criação de uma nova elite que gere crescimento econômico.

Numa perspectiva de análise de Planos de Governo. Por um lado, Aécio nada tem a contribuir a não ser afirmar a necessidade de alteração da política econômica, mas não a enuncia em razão da alta rejeição da população e mesmo da própria classe média. Por outro, não pode afirmar os programas sociais do governo Dilma/PT a não ser enunciar timidamente que os manterá. Deverá reservar sua campanha eleitoral a ataques às questões de corrupção alimentadas por uma mídia conservadora e trabalhada a seu favor, conforme indicam os dados do Manchetômetro. Claro que a corrupção deve ser atacada seja por quem quer que a pratique, entretanto a mídia produzindo escândalos atrás de escândalos, de modo exponencialmente maior que na campanha de 2010 também evidencia meios de comunicação bastante controlados e manipuladores, muito aquém de uma democracia. Infelizmente o PT, em seus governos, não conseguiu criar outro meio de informação abrangente o suficiente para dialogar e informar a população.

De todo modo me parece que a conjuntura partidária eleitoral está mais favorável à Dilma, pela extensão de votos no nordeste, pela dificuldade do eleitorado da Marina convergir para o PSDB/Aécio, dificuldade de eleitores da Marina seguirem a direita comportamental. De toda forma, a vitória de Dilma no segundo turno será apertada, diferença pequena que por si só já evidencia um recado claro de alteração do plano político do PT.

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