Em março toda a família se deslocará para o Rio de Janeiro, cumprir mais uma etapa da bela profissão de professor universitário: doutorado. Felizmente ingressei no curso de doutorado do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, criado a partir da saída dos professores do antigo IUPERJ/RJ. A excelência dos professores quando ainda estavam no IUPERJ garantiram ao programa o conceito 7 pela CAPES, possivelmente o IESP/UERJ também sairá do seu já excelente conceito 5 para graus mais elevados. Menos pelo nível do doutorado, mas também obviamente, a conquista considero importante em minha trajetória acadêmica, profissional e como pessoa. Mais ainda por poder continuar a pesquisa de mestrado junto à UFSC relacionada aos Povos Indígenas, porém sobre um olhar orientado pela Ciência Política. Proponho-me a analisar e avaliar as possibilidades e os limites da democracia frente às reivindicações dos Povos Indígenas, notadamente nas suas participações no espaço público compartilhado que tenho definido como o âmbito de articulação nacional dos indígena em prol de políticas que sejam ampliadoras e garantidoras de direitos fundamentais a tais povos, resumindo-os nas Assembleias dos Povos Indígenas desde a Constituinte, nas Conferências Nacionais dos Povos Indígenas e na participação junto ao Conselho de Política Indigenista do País.
A intuição reside que nem o liberalismo de Rawls, o comunitarismo de Walzer e Sandel e menos o procedimentalismo de Habermas consigam apresentar uma estrutura de reflexão que garanta a solidificação das práticas socioculturais, políticas e jurídicas de tais povos. Por outro lado, o teórico da democracia cooperativa, tanto quanto esquecido como, por exemplo, John Dewey parece provocar um diálogo que tanto aqueles liberais como comunitários e procedimentalistas mal o utilizaram, ou ao menos o usaram apenas para justificar suas apreensões teóricas em pontos decisivos que os diferenciam. Dewey favorece, muito antes daqueles, o olhar em que torna possível associar todos eles. É apenas uma intuição no experimentalismo.
De todo modo o período de doutoramento servirá para tornar essa intuição plausível ou descartá-la, mas o mais confortante é que poderei analisá-la, averiguá-la a partir de dados que o próprio IESP/UERJ já possui, a partir dos trabalhos de levantamento do Laboratório de Estudos da Democracia, LED, por meio de sua equipe coordenada por Thamy Pogrebinschi. Isso é o mais prazeroso, poder pesquisar aquilo que realmente se pretende e intui, sem as “forçasões” de barra de orientadores de muitos cursos Brasil afora que desprezam muitas ideias de orientandos simplesmente por não ter o aprofundamento ou despreendimento de sair de seus “castelos de areia do conhecimento” e efetivamente apreender o conhecer. De todo modo, pode ser uma avaliação até mesmo precoce, o barco ainda tem que ultrapassar os recifes…
A apreensão reside em realizar a mudança necessária para empreender tal objeto de estudo. Família já bem instalada em Cuiabá, agora um reinício no Rio de Janeiro com todas as incertezas que uma mudança sempre traz para todos. Escola para as meninas, apartamento, locomoção e tudo o mais… Resta tão-apenas aquele friozinho gostoso e ao mesmo tempo paralisante de quando não sabemos o fim do caminho, mas apenas a trajetória colocada para se caminhar. Me parece próprio da vida mesmo. Será ela sempre assim? De todo modo sempre topei encarar os caminhos, mesmo com obstáculos ainda não encontrei seu fim, talvez nunca o vislumbre. Sê melhor assim.
A Copa do Mundo no País gerou um índice de valorização imobiliária sem precedentes. Tanto em Cuiabá como no Rio isto é evidente. As apreensões de um professor de carreira que sobrevive com o salário de 20 h/a UNEMAT e de 40 h/a da UFMT, tendo percalços para mantê-lo em doutoramento em razão do regime probatório (art. 20 Lei 8112) na federal, já indica o enfrentamento prévio a ser ultrapassado para o desenvolvimento do desejado doutorado pelo IESP/UERJ. Isso apenas para evidenciar que nas conquistas também temos que fazer escolhas nem sempre fáceis, talvez para o gozo posterior, quem sabe?! (talvez uma intuição outra a ser confirmada).
De todo modo com ou sem a UFMT ao Rio de Janeiro estamos indo, vamos pelo caminho aberto sem esmorecer nos enfrentamentos outros que ainda virão. E por essa razão compartilho essa mensagem com todos vocês de modo a agradecer a família, a todos professores, estudantes, amigos queridos que contribuíram com um pouco de seu tempo e vida em minha trajetória.
Desejo Sucesso nessa nova jornada em busca de conhecimento , sabemos que perdemos um grande mestre humano, inteligente, sagaz, porem o Rio ganha mais um Flamenguista e um homem Fantástico. Que tudo que almejas seja realizado e sinto-me orgulhosa de poder ter conhecido pessoa fascinante. Felicidades a você e em especial a sua família pois sem ela não somos nada.
Por: Claudia Patricia em 08/01/2012
às 03:15