Faz algum tempo que desenvolvo a atividade prazerosa de esbaldar-me na elaboração criativa de pratos culinários. Essa brincadeira iniciou em tenra idade, provavelmente aos 12 ou 13 anos. Pela primeira vez peguei-me na cozinha apenas olhando atentamente D. Iveti, minha saudosa mãe, fazer meu prato favorito, nhoque. Ali ficava, rodeando, experimentando aqui e acolá, abraçando e dando beijinhos nessa grande mulher. Volta e meia lia uma notícia ou outra para ela, enquanto estava com a mão na massa. Saudades imensas! Dali para frente ficava sempre observando os pratos, o amor, a dedicação, a energia, a criatividade, o tempo, o fogo, a conversa, os petiscos, enfim, tudo que estava derredor da cozinha.
Não foi difícil um salto para meus 16 a 17 anos iniciar nas atividades culinárias de modo rudimentar, me virando literalmente no arroz com ovos, um macarrãozinho, afinal ainda um menino, mais menino do que ainda hoje. Entre Cáceres e Cuiabá na década de 90 também me arriscava na cozinha, mas na época ainda não tinha a compreensão necessária para se fazer uma bela farofa. É preciso compreensão mesmo meu caros amigos. Há um ponto, uma magia, um acerto. Finalmente, aprendi. Foi em Florianópolis que aflorou mais diretamente as lembranças da cozinha. Por dois motivos: estava sozinho e o dinheiro era curtíssimo. Isso me motivou a ter uma sinergia de tal modo que quando observava minha casa já estava rodeada de amigos, derredor da cozinha, é claro.
Atualmente não tenho muitas barreiras para a criatividade rolar solta na elaboração de pratos, ainda não procurei aprender a culinária árabe. O próximo desafio! Com e para as minhas meninas tenho criado alguns pratos que tem repercutido entre alguns amigos. Trata-se do Caiman ao Béchamel de Damasco. Na cidade de Cáceres/MT há a primeira cooperativa de jacaré do Brasil, COOCRIJAPAN (http://www.coocrijapan.com.br/index_br.asp). A matéria-prima, portanto, é bastante acessível e farta, bem como seu preço, ao menos em Cáceres e em Cuiabá.
Não sou muito bom para as receitas, deixo fluir a preparação do prato de acordo com a quantidade de pessoas e ingredientes e especiarias disponíveis. Caros leitores, tenham o abaixo exposto apenas como uma orientação, siga o instinto e permita-se construir seu próprio jeito de preparar os pratos. Uma terapia que nem Freud explica. rs…
Um quilo de filezinho de jacaré, três colheres de sopa de margarina, quatro colheres de farinha de trigo, mexa até que a pasta comece a dourar um pouquinho, derrame vagarosamente o um litro de leite sempre mexendo até que fique com a textura mais firme, grossa. Noutra panela, coloque o jacaré, sal a gosto, um pouco de chimichurri, alho a gosto, pouco de cebola, metade de um tablete de caldo de galinha e deixe ferver por uns 30 minutos. Com damasco fruta, descasque-a, tire a semente, corte a polpa e bata-a em liquidificador até virar um caldo, suco, líquido não muito aguado. Damasco seco pode ser cortado em pequeno pedaços para compor o junto ao molho. Deixe secar um pouco a água do jacaré ou retire-a se necessário, o molho não pode ficar aguado. Junte o damasco e leve-o ao fogo com os filezinhos até que a carne fique bem macia. Finalmente, junte-os ao molho branco e leve ao fogo mexendo bem para que ocorra a composição homogênea. Sirva com porção de arroz.