Publicado por: maldeiaexploratoria | 19/03/2009

Estreiteza de visão e o Ser.

TrancosoVerte em mim uma dependência à escrita. Ausente e silenciado, esse espaço teve por alguns breves dias descansando da intoxicação letrista.

Numa manhã, ainda preparava-me para curtir Maria Clara, lá pelas 6 da matina. Já em férias, mas sem perspectivas de viagem, dia 31/08 fechou o ano em família no maior relex. Sabia eu que não aguentaria mais do que 10 dias. Dito e feito!

Partimos dia 10 de janeiro com destino a Arraial D’Ajuda e Trancoso, rumo a Terra de Todos os Santos, Bahia. As condições de trafegabilidade pelas rodovias brasileiras eram boas, apenas alguns trechos péssimoa, mas, enfim… conseguimos sobreviver a quatro dias de estrada. Chegamos no dia 14 a  Arraial e logo estaria no meu paraíso favorito: Trancoso.

Estávamos exaustos e, na realidade, fomos ao Sting (uma bar de praia próximo à casa de minha irmã) dois dias após a chegada. Sentir a brisa do mar e entregar-me às brincadeiras infantis com as nossas crianças, seduzindo-as a uma aprendizagem da vida na vida, foi um momento ímpar de educação sentimental e lazer. Alguns instantes da estada em “meu paraíso” deixava correr algumas  gotas temporais de felicidade pelo meu rosto. A liberdade da imensidão azul alargava a minha temporalidade de estreitada visão. Vários momentos me sondava com as poesias de Alberto Caeiro, principalmente esta:

“Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo….
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.”

Tentava compreender a pequenez de pensamento e ações que nos desmotivam a simplesmente Ser, fazer e refazer. A pequenez de perseguir, de impedir oportunidades, de se omitir, de não agregar. Não tinha vontade de retornar, não tenho vontade de fazer e refazer, mas é isso mesmo que me move a Ser, me motiva a estar, me insufla a lutar contra essa estreiteza de olhar que nos envolve. Por isso ainda tento, por isso ainda sofro, por isso ainda resisto, por isso ainda Vivo, para alargar o horizonte de minha aldeia, porque Sou do tamanho do que posso imaginar e recuso-me a Ser da altura que me possibilitam alcançar.

“Sê plural como o universo”.

 

 


Respostas

  1. Oi Profi!! adorei as fotos… muito lindas.. e o texto perfeito…
    eu mudei o link do meu blog… http://www.morenayflor.blogspot.com
    um abração a família linda

  2. Oi tó…comecei hoje a ler o seu blog, por esse post das férias…ta muito legal hein…parabéns!!
    Trancoso é realmente maravilhoso né…e a foto também ta linda! ;*


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