Publicado por: maldeiaexploratoria | 28/12/2008

Um lugar…

Um lugarOcupo um espaço existencial em um local territorial do qual pareço não pertencer. As tentativas frustradas de sair dessa dualidade espacial nada mais são do que um convite a permanecer irriquieto ante as coisas postas em nosso cotidiano. Atentamente alguém me dirá ser uma constante insatisfação ante de si mesmo, uma procura irracional pelo absoluto. Já afirmei noutro espaço que cada um de nós devemos responder uma pergunta fundamental para alcançarmos a felicidade: o que é necessário para você viver bem. As respostas e objetivos para alcançá-las correrão de acordo com o mundo interior de cada um.

Não me ocupo das minhas insatisfações, muito embora ainda tomem, em parte, meu ser. Cativo-me pelo prazeroso, pelo gosto saboroso das belas frutas e flores compartilhadas com a família.

Um lugar para a ele pertencer com certa continuidade temporal. Esse foi um dos belos diálogos com o poeta-luz Krausão. Porque não nos sentimos ocupar um espaço em algum lugar?

Não pertenço a lugares, mas a pessoas, a relações de amizade, amor, círculos de aprendizagem, criatividades, desejos a saciar, sonhos  a nos ocupar, conhecimento a fortalecer… A ausência de uma comunidade que favoreça os valores que nos agregue a lugares-sociedades me constrange, me deprime, me distancia.

Pertenço a sons de passarinhos, cheiros de mato com esterco de vacas, ao cachoerinha e os juquiás, ao ordenhar leiteiras, ao brincar com falas corais, ao esperar nas redes de caça, às conversas a noitinha em frente ao pasto, às broncas de Antonio Ulian, ao Rosil e Delegado a galopar, ao banho de cachoeira, às músicas caipiras… Ao rural…

Também pertenço às músicas clássicas, ao rock, ao reggae, às formalidades sociais, festas e badalações “etiquetais”, educação católica… Ao urbano…

Me faço e constituo não apenas a partir de dois nomes e sobrenomes de meus avós. Avô materno: Antonio Ulian. Avô paterno: Armando do Lago Albuquerque. Sou a dualidade do espaço rural e urbano, me animo, existo  e necessito de ambos.

Sinto saudades, muitas saudades, já é hora de despedir-me, outras paragens pessoais que poderão conduzir-me a dualidade de lugares.


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