Publicado por: maldeiaexploratoria | 03/11/2008

Carmina Burana – A constante mudança da vida

         Em 1803, durante o processo de secularização pelo qual o mundo moderno ainda passava para se solidificar, foram econtrados na Abadia de Benediktbeuern (beneditinos), na Bavária, 200 poemas e canções medievais, escritos por monges eruditos (goliardos) ou eclesiáticos anônimos que contrariavam o regime as leis eclesiásticas da época. A coleção foi publicada em 1847 sendo denominada “Carmina Burana” (Canções de Beurn). Carl Orff, descendente de uma família de eruditos e soldados de Munique, muito cedo encontrou os escritos e arranjou-os para solistas e coros. Foi Orff, em 1936, o responsável pela musicalização de Carmina Burana, e seus direitos estão sob a responsabilidade Shott Musik International.

        “Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antigüidade — o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com o Natureza despertando na primavera (“Veris leta facies”), seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (“In taberna”); e seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”)”. (http://www.nautilus.com.br/~ensjo/cb/) Neste site você encontra a tradução de toda e musicalização de Orff.

Oh, Fortuna,
velut luna Oh, Fortuna,

variável

statu variabilis, como a lua,
semper crescis sempre cresces
aut decrescis; ou minguas;
vita detestabilis vida detestável
nunc obdurat ora frustra
et tunc curat ora satisfaz
ludo mentis aciem, com zombaria os desejos da mente,
egestatem, à pobreza
potestatem e ao poder
dissolvit ut glaciem. dissolve como se fossem gelo.
2. 2.
Sors immanis Sorte monstruosa
et inanis, e vã,
rota tu volubilis, tu, roda a girar,
status malus, a aflição
vana salus e o vão bem-estar
semper dissolubilis, sempre se dissolvem
obumbrata tenebrosa
et velata e velada
michi quoque niteris, atacas-me também;
nunc per ludum agora por teu capricho
dorsum nudum costas nuas
fero tui sceleris. trago sob teu ataque.
3. 3.
Sors salutis Sorte, senhora do bem-estar
et virtutis e da virtude,
michi nunc contraria, estás agora contra mim;
est affectus ?
et defectus ?
semper in angaria; ?
hac in hora nesta hora
sine mora sem demora
corde pulsum tangite, tocai as cordas;
quod per sortem pois que a sorte
sternit fortem esmaga o forte
mecum omnes plangite.                          chorai todos comigo.

        As relações econômicas capitalistas já formadas implicavam a uma miserabilidade de uma grande parcela da população. Os poemas foram encontrados em 1803. Qual a real data deles? Assinalam pertencerem ao século XIII. Em pleno período feudal as forças contraditórias das classes já estavam presentes indicando um sistema econômico diferente a se formar: capitalismo.

        Além dessa possibilidade interpretativa a leitura das traduções indica poesias sobre temas satíricos e burlescos, tendo sempre uma crítica sagaz aos costumes da época e a vida religiosa. As poesias apontam um ideal de vida epicurista, exaltando o carpe diem.


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